Cidade com pouco mais de 8 mil habitantes mantém estrutura inchada enquanto presidente alega “travamento do sistema”
A Câmara Municipal de Martins, no Alto Oeste potiguar, vive um cenário contraditório. Em uma cidade com pouco mais de 8 mil habitantes e apenas nove vereadores, a Casa Legislativa mantém quase 30 postos entre cargos comissionados, contratados e até supostos cargos fantasmas, segundo denúncias que circulam nos bastidores.
Apesar da estrutura considerada inchada, o presidente da Câmara surpreendeu ao anunciar, em plenário, que em setembro não haverá pagamento para os vereadores. A justificativa apresentada foi um suposto “travamento do sistema de contabilidade”, que teria impedido o repasse dos valores.
Nesta semana, o presidente procurou a reportagem do RNTV para afirmar que a Prefeitura de Martins estaria se negando a abrir um crédito suplementar para a Câmara. Sem esse recurso, segundo ele, não haveria como pagar contas de água, luz e internet. A fala, no entanto, contradiz o próprio vídeo da última sessão, em que o presidente afirmou se tratar de um remanejamento de verbas, e não de crédito suplementar.
A polêmica cresceu ainda mais após a divulgação de extratos que mostram sobra de recursos nos cofres da Câmara em meses anteriores e até no mês atual. A população questiona: como uma Casa que mantém quase 30 cargos e registrou sobras financeiras agora ameaça paralisar serviços básicos?
A falta de transparência, as supostas nomeações de funcionários fantasmas e as contradições nas falas do presidente expõem uma crise política que já repercute nas ruas e pode se transformar em um dos maiores escândalos recentes do município.