Chego hoje aqui pelas mãos de muitos artistas e seus pincéis, pelas cores de muitas telas e suas tintas.
Sei que chego aqui por compreender que o COLETIVO deve se sobrepor ao individual, e que o PÚBLICO deve prevalecer sobre o privado.
Foi um exercício de DESPRENDIMENTO – não sem lágrimas – quando seu Wilson e os carros-baú saíram do meu apartamento em Natal, com destino à UFERSA e a Mossoró, levando 1.111 obras de arte que contam a história do surgimento e do desenvolvimento das artes plásticas no Rio Grande do Norte e, de forma muito especial, inédita e afetiva, no País de Mossoró.
São 40 anos de dedicação – melhor dizendo, devoção – ao universo da arte. Ao me aposentar da ESAM, encontrei abrigo, guarida, felicidade e completude nas artes plásticas e na literatura.
Emiliano, meu filho, sempre repete que tenho o privilégio de poucos: TRABALHAR COM O QUE GOSTO.
Por isso, MEU EXPEDIENTE DE APOSENTADA É EXPANDIDO: trabalho o dia todo e parte da noite. Trabalho com o que amo; assim, lazer e deveres se misturam, são a mesma coisa.
ESSA FOI A ESCOLA DE TIO VINGT-UN, onde aprendemos a contribuir com a cidade e com o próximo.
É mais que trabalho: é uma MISSÃO.
E missão é como ser mãe: não tem hora para começar, nem para terminar.
Frequentei essa escola por muitos anos e creio que tirei boas notas em todas as matérias.
Hoje, recebo – agradecida e agradecendo – esta honraria: a MEDALHA VINGT-UN ROSADO, generosidade da UFERSA, do reitor Rodrigo Codes, do vice-reitor Nildo, de Tamms e também do Conselho Universitário.
Muito obrigada a cada um e a todos! Também agradeço às autoridades de hoje, às autoridades do pelotão cerimonial, às autoridades da plateia, aos amigos presentes Deilson, Ramires, Júnior Magnata, Ivanaldo, Liana, Jarina, Jeruzza Camara, Dionne Caldas e muitos outros. E aos meus filhos Emiliano e Eugênia, Tricia e Ivan, e aos netos Rebeca, Gabriel e Kaia – nesta tardia que chega da Alemanha para um intercâmbio de três meses. Agradeço ainda a Otávio, Dr. Neto e Seu Dix-Sept, que iluminaram o meu crepúsculo.
Sou gratíssima por compartilharmos este momento e devedora de todos!
Mas voltemos à razão que me trouxe aqui: a PIM.
Com a ideia de contribuir, articulei, batalhei e trabalhei para que pudéssemos celebrar hoje a PIM – Pinacoteca e Memorial UFERSA Mossoró. Já são 12 meses de existência, graças ao trabalho devotado e voluntário da professora Tamms e de seu esposo Alex.
A PIM caminha para a consolidação – ainda precisa de equipe e espaço –, mas já foi visitada por cerca de 10 mil estudantes e professores, de Mossoró, de diversas cidades do RN, de estados vizinhos e até por turistas.
Todos já puderam se emocionar com a arte, a estética e a sensibilidade produzidas em Mossoró e no Rio Grande do Norte, majoritariamente; alguns do Brasil e, em menor número, do exterior.
As obras foram cuidadosamente e elegantemente dispostas pela curadoria de Manoel Onofre Neto, Procurador de Justiça, colecionador, estudioso e restaurador de artes.
Na minha “bola de cristal”, já li que as artes plásticas do RN serão, e muito, devedoras de sua dedicação e de seu saber.
Às vésperas dos meus 80 anos, aproximando-me do meu “encantamento”, como dizia Câmara Cascudo, deixo como “rastro”, além dos grandes espetáculos da cidade – Chuva de Bala no País de Mossoró e o Auto da Liberdade –, a PIM/UFERSA.
Como diz o nosso VT:
Venham…
É linda…
E de graça!
Quero compartilhar com todos o que meus olhos viram.
MUITO OBRIGADA!
Isaura Amélia Rosado