Planilhas apreendidas pela PF na Operação OverClean indicam que Netinho Lins teria operado o repasse de R$ 25,4 milhões (emendas parlamentares) para o estado da Paraíba, além de R$ 2,2 milhões destinados especificamente ao município de Patos
Da Redação do Jornal de FatoA senadora Zenaide Maia (PSD) abriu mão de ter um suplente do Rio Grande do Norte para colocar um nome da Paraíba na sua campanha à reeleição.
A opção pelo ex-cantor de forró e hoje empresário Netinho Lins, do Republicanos, pode provocar dificuldades ao projeto eleitoral da senadora potiguar.
O ponto de partida é a razão que levou Zenaide a escolher um nome de outro estado, sem nenhum histórico de atividade pública no RN, para ser o seu primeiro suplente. A senadora certamente será pressionada para explicar a opção.Nos bastidores, a versão corrente é que Netinho Lins foi uma imposição do Republicanos para o partido apoiar a candidatura de Allyson Bezerra (União Brasil), aliado de Zenaide, ao Governo do Estado.
O Republicanos apoiaria Álvaro Dias (PL), adversário de Allyson, mas mudou de direção por determinação da Executiva Nacional. Dentro das negociações, Allyson ficou com a presidência da legenda estadual e colocou no cargo de presidente o prefeito de Mossoró, Marcos Bezerra.Mas esse não é o ponto mais delicado.
O grande problema é o histórico recente de Netinho Lins. O paraibano teve seu nome identificado em planilhas apreendidas pela Polícia Federal na Operação Overclean, que investiga um esquema bilionário de fraude em licitações, corrupção e desvio de emendas parlamentares.Os documentos apreendidos indicam que ele teria operado o repasse de R$ 25,4 milhões (emendas parlamentares) para o estado da Paraíba, além de R$ 2,2 milhões destinados especificamente ao município de Patos, sua base política.
As informações foram publicadas em 2025 pelo jornal O Globo.O esquema, desbaratado pela Operação Overclean, seria liderado por empresários do setor de limpeza urbana e contou com a participação de servidores públicos, como Lucas Lobão, ex-coordenador do Dnocs na Bahia. As investigações começaram após denúncia da Controladoria-Geral da União (CGU), que identificou irregularidades em contratos firmados com a empresa Allpha Pavimentações.
VorcaroNetinho Lins também apareceu no noticiário do banqueiro Daniel Vorcaro (ex-dono do Banco Master), preso na Operação Compliance. A PF abriu linha de investigação para apurar se Lins recebeu R$ 1 milhão da Entre Investimentos (empresa ligada a Vorcaro), mas, nesse caso, não há demonstração que o pagamento tenha sido ilícito ou que Netinho tenha cometido crime.Segundo noticiou o UOL, a Dubem Business, empresa de Netinho Lins, também é investigada como parte de um esquema que movimentou cerca de R$ 134 milhões, valor solicitado para a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), financiado majoritariamente com fundos ligados a Vorcaro.
O companheiro de chapa de Zenaide Maia emitiu nota negando qualquer relação com Vorcaro. De cantor de forró a CEO do Grupo DuBemNetinho Lins é o CEO e fundador do Grupo DuBem. Ele é visto na Paraíba como um empresário visionário, vendedor nato e apaixonado por entretenimento.
A sua ascensão meteórica chama a atenção. Há poucos anos era um cantor de forró e hoje é apontado como um homem de condição financeira importante.O paraibano de 37 anos, nascido na Região Metropolitana de João Pessoa, tornou-se conhecido no Nordeste por ser responsável por levar marcas como Picpay, Esportes da Sorte (bets) e Brahma para fazer grandes investimentos em festas juninas e até o no Festival de Paratins na Amazônia.O escolhido para primeira suplência da senadora Zenaide Maia é famoso por sua proximidade a políticos influentes do “Centrão”, como o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB) e o ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).
Netinho Lins também tem relações próximas com Ciro Nogueira (presidente nacional do Progressistas) e Antônio Rueda (presidente nacional do União Brasil), partidos que formam a Federação União Progressista, que sustenta a candidatura de Allyson Bezerra ao Governo do RN.
Além disso, ele se tornou conhecido no país devido à grande repercussão após pegar carona em um avião oficial da Força Aérea Brasileira (FAB) com destino a São Paulo, acompanhando Hugo Motta, fato ocorrido em abril de 2025.