Entidade no Rio Grande do Norte seguirá orientação nacional de apoio ao presidente e aos candidatos de sua base política
Por Fernanda Sabino
A Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito (FEED) declarou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026 e orientou seus integrantes a apoiar também candidaturas que integram a base política do petista nos estados. O posicionamento foi aprovado por unanimidade pela organização e formalizado em uma carta pública. No Rio Grande do Norte, a decisão alcança as disputas majoritárias e proporcionais e inclui, portanto, a candidatura de Cadu de Lula (PT) ao Governo do Estado.
Em entrevista ao Diário do RN, o pastor Orivaldo Pimentel Júnior, coordenador estadual da organização, explicou que a decisão foi tomada em agosto, durante reunião realizada no Rio de Janeiro, e não será submetida a uma nova deliberação local.
“A orientação nacional já foi estabelecida numa reunião que tivemos em agosto, no Rio de Janeiro.
Então, é o que ficou sintetizado na carta que a gente distribuiu”, explicou.
A organização realiza nesta quarta-feira (9), às 19h30, no Hotel Monza, em Natal, um encontro para planejar a atuação durante a campanha. Candidatos que concordem com o conteúdo da carta foram convidados a participar.
“Não vai haver, assim, uma aprovação ou não, porque já está firmado nacionalmente. O entendimento é que, se há uma concordância por parte do candidato com o conteúdo da carta, então a gente entende que é uma candidatura simpática à proposta das pessoas ligadas à Frente e que poderão ser estimuladas a votar nesses candidatos”, afirmou.
O apoio, porém, não se restringe à candidatura presidencial. A orientação é acompanhar a base de Lula nas disputas majoritárias e proporcionais, o que, no RN, inclui Cadu de Lula para o Governo. Nos cargos proporcionais, não haverá indicação de um único nome, mas a escolha ficará a critério dos membros.
“A decisão foi apoiar o presidente Lula e toda a sua base, tanto nas proporcionais quanto nas majoritárias”, afirmou Orivaldo. “A gente apoia os candidatos que são da base da candidatura do presidente Lula”, reforçou.
O documento
Na carta que formaliza o apoio a Lula, a Frente apresenta os argumentos políticos e religiosos que fundamentam sua decisão. A organização afirma que as eleições de 2026 ultrapassam a disputa entre partidos e candidatos e representam uma escolha entre diferentes projetos para o país.
“As próximas eleições ultrapassam os interesses imediatos de partidos, grupos e candidatos”, afirma o documento. Na sequência, a Frente detalha o que considera estar em jogo no pleito: “Elas representam uma escolha entre projetos distintos de sociedade: de um lado, a defesa da democracia, da soberania nacional, da garantia de direitos, da dignidade da população e da proteção das famílias e do meio ambiente; de outro, o autoritarismo, a violência política e a retirada de direitos”.
A argumentação também parte da fé cristã. A Frente recorre a passagens bíblicas para relacionar o cristianismo à proteção dos mais pobres, à justiça, à paz e ao bem comum. “Defende os direitos do pobre e do necessitado”, cita o documento. Em outra passagem, reforça: “Falem em defesa dos que não podem se defender”.
Ao justificar o apoio a Lula, a entidade destaca o papel do presidente na defesa da ordem constitucional e considera sua liderança necessária para “enfrentar o extremismo, preservar a democracia e defender a soberania nacional”. Ao final, sintetiza a decisão eleitoral: “Para 2026, somos Lula para presidente do Brasil”.
A Frente Evangélica
Criada em 2016, a Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito (FEED) é um movimento formado por cristãos evangélicos, entre pastores, teólogos e fiéis. Surgiu no contexto do processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff e tem entre seus objetivos a defesa da democracia e da justiça social.
A organização também defende a pluralidade política e religiosa dentro das igrejas e busca se contrapor à ideia de que exista um pensamento político único entre os evangélicos brasileiros, além de se posicionar contra o fundamentalismo e o uso político da fé.