Prefeito afirma que limite para remanejamento orçamentário foi esgotado e diz que rejeição de suplementação pela Câmara pode atingir áreas como saúde, educação e limpeza urbana
O prefeito de Martins, Paulo César Galdino, conhecido como César Móveis, usou as redes sociais para fazer um alerta à população sobre um impasse entre o Executivo e a Câmara Municipal que, segundo a gestão, pode comprometer a continuidade de serviços públicos no município.
No vídeo, o prefeito é direto ao afirmar que o problema não seria falta de dinheiro nos cofres públicos, mas a impossibilidade legal de remanejar recursos entre dotações do orçamento.
“O dinheiro existe. E a população tem que saber disso”, afirmou César Móveis. Segundo ele, caso a Câmara não reveja a decisão até sexta-feira, a situação poderá ficar ainda mais delicada.
A explicação técnica foi apresentada no mesmo vídeo pelo assessor contábil Sueldo Lino. De acordo com ele, para 2026 o Poder Executivo havia solicitado autorização para remanejar até 30% do orçamento municipal. A Câmara, porém, aprovou limite de apenas 10%.
Segundo a gestão, o percentual é inferior ao praticado em administrações anteriores e acabou sendo integralmente utilizado ao longo do exercício. Com o limite esgotado, a Prefeitura afirma que perdeu a flexibilidade necessária para transferir dotações de áreas em que existem saldos para outras que precisam de reforço orçamentário.
Diante da situação, o Executivo protocolou, em 12 de agosto, pedido para ampliar a margem de suplementação de 10% para 25%. Conforme relatado no vídeo, a proposta foi rejeitada pelo Legislativo em 11 de setembro.
Na prática, de acordo com a Prefeitura, a rejeição não significa que o município esteja sem recursos financeiros. Significa que a administração fica limitada para fazer alterações no orçamento necessárias à execução de determinadas despesas.
O próprio histórico de 2026 mostra que a Prefeitura realizou diferentes aberturas de créditos suplementares durante o exercício, procedimento normal da execução orçamentária quando há necessidade de adequar dotações às despesas efetivamente realizadas.
É justamente nesse ponto que César Móveis direciona a cobrança aos vereadores. Para o prefeito, a decisão do Legislativo ultrapassa uma disputa política com a gestão e pode chegar diretamente à vida da população, atingindo serviços essenciais, principalmente saúde, educação e limpeza urbana.
“Enquanto a Câmara não reverter o quadro, eu fico impedido por lei de dar continuidade no trabalho que o município vinha realizando com vocês”, declarou.
O prefeito também fez um apelo direto aos moradores de Martins para que procurem os vereadores em quem votaram e cobrem uma solução para o impasse.
“Eu peço a cada um de vocês que entre em contato com o vereador que você votou para resolver essa situação”, disse.
A mensagem da gestão é clara: o embate político e orçamentário entre Executivo e Legislativo pode deixar de ser uma discussão restrita aos gabinetes e chegar à rotina do cidadão martinense.
A Câmara Municipal de Martins realiza sessões ordinárias às sextas-feiras, às 9h, conforme informação disponibilizada no portal oficial do Legislativo. A expectativa agora é sobre os próximos movimentos dos vereadores diante do alerta feito pela Prefeitura.
A Câmara deve ter espaço para apresentar sua justificativa para a rejeição da suplementação e esclarecer quais razões técnicas, fiscais ou políticas levaram os vereadores a não autorizar a ampliação solicitada pelo Executivo. Até lá, permanece a cobrança feita publicamente pelo prefeito: se há recursos disponíveis, por que impedir o remanejamento necessário para manter os serviços funcionando?