No Cafezinho com César Santos, Cadu Xavier rebate críticas feitas ao governo pelo prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, e afirmou que a figura pública precisa ter ética e saber o que é honestidade. Cadu também analisa o cenário político e eleitoral
O secretário da Fazenda do Rio Grande do Norte e pré-candidato ao Governo do Estado, Carlos Eduardo Xavier, Cadu Xavier (PT), participou do tradicional Cafezinho com César Santos durante café da manhã oferecido pela governadora Fátima Bezerra, no Espaço da Rampa, em Natal, na última quarta-feira, 11.
Na conversa, ele avaliou o cenário eleitoral, comentou alianças, falou sobre a escolha de um nome para vice, tratou do rompimento com o vice-governador Walter Alves (MDB) e defendeu a gestão estadual.
Nessa entrevista, Cadu também rebate críticas feitas ao governo pelo prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), e afirmou que a figura pública precisa ter ética e saber o que é honestidade, fazendo referência à situação do prefeito que é investigado pela Polícia Federal por esquema de contratos fraudulentos e propina. Confira:
A sua pré-candidatura, como afirmou a governadora, está mantida. Nas pesquisas de opinião, o senhor aparece em terceiro lugar, aproximando-se dos dois dígitos. Como analisa esse momento e quais são as perspectivas para o projeto eleitoral?
Olha, César, ainda estamos em fevereiro de um ano eleitoral; as eleições acontecerão apenas em outubro. Estivemos recentemente na Bahia com o presidente Lula e saímos de lá ainda mais motivados e confiantes. A Bahia é um grande exemplo — inclusive citado pelo próprio presidente. O governador Jerônimo Rodrigues, em 2022, nesta mesma época do ano, tinha cerca de 3% nas pesquisas. Aqui no Rio Grande do Norte, já aparecemos com 8% a 10% sem vinculação ao presidente Lula. Quando há essa associação, ultrapassamos os 20%. Portanto, é muito cedo. Nossa campanha vai crescer, vamos defender as políticas do governo Lula, com quem temos uma história construída ao longo de anos, tanto eu quanto a governadora Fátima. Estamos convictos de que estaremos no segundo turno e venceremos as eleições de 2026.
Seus dois principais adversários já definiram os companheiros de chapa. Como será o processo de escolha do seu vice?
No nosso campo político, as decisões são tomadas de forma democrática e partidária. Os partidos não têm donos. Temos o PT, PCdoB, PV, PDT, PSB, e outros podem se somar, como o PSOL já no primeiro turno. A escolha será construída coletivamente, no diálogo entre as legendas. Tenho certeza de que sairá um excelente nome. O que não abro mão é de que seja alguém de confiança, que esteja conosco na campanha, na eventual vitória e, principalmente, na gestão. Precisamos garantir estabilidade e compromisso para não repetir episódios de quebra de confiança e de projetos, como vimos recentemente no Estado.
O senhor já declarou que gostaria de ter uma mulher como vice. Dois nomes surgiram: as ex-deputadas Larissa Rosado e Márcia Maia. A escolha pode sair desse grupo?
São dois excelentes nomes. Márcia Maia faz hoje uma gestão muito competente à frente da Desenvolve RN, antiga Agência de Fomento. Larissa Rosado é uma liderança consolidada em Mossoró. Mas essa decisão não será isolada. Vamos ouvir todos os partidos para que o nome escolhido agregue eleitoralmente e, sobretudo, represente compromisso com o projeto. Mais importante do que o cálculo político é a confiança e a unidade para que possamos governar com estabilidade.
O senhor fala que é importante ter um vice com compromisso para não repetir episódios de quebra de confiança e de projetos. Essa é uma referência ao vice-governador Walter Alves, que rompeu com o governo e se aliou aos adversários. Walter anunciou apoio à sua pré-candidatura, mas depois se afastou. O senhor se sente magoado ou decepcionado?
Mágoa, não. Vejo como uma decisão precipitada e equivocada, principalmente quando faz referência às finanças. Hoje fiz questão de apresentar números que mostram uma realidade diferente da narrativa de um Estado quebrado. Estamos duplicando a BR-304, recuperando mais de dois mil quilômetros de rodovias, reduzimos em quase dez pontos percentuais o comprometimento da Receita Corrente Líquida com pessoal em comparação a 2018. Apresentei dados sobre o endividamento e a recuperação fiscal. Ele fez a escolha dele. Nós seguimos no nosso caminho, com a convicção de que entregaremos, ao fim de 2026, um Estado melhor do que encontramos e com plenas condições de continuar avançando.
A prefeita de Pau dos Ferros, Marianna Almeida, chegou a ser cogitada como possível vice, mas recentemente anunciou apoio à pré-candidatura do prefeito de Mossoró Allyson Bezerra. Essa decisão surpreende ou decepciona?
Surpreende, sim. Mas vivemos em um processo democrático, e ela tem o direito de fazer suas escolhas. Esperávamos que caminhássemos juntos, considerando a boa relação administrativa e política que sempre tivemos. Tenho convicção de que nossa campanha crescerá de forma consistente. Acredito que, ao longo desse processo, muitas lideranças que hoje estão em outros projetos poderão reavaliar suas posições. Estou confiante de que Marianna poderá, em algum momento, caminhar novamente conosco.
Em uma eventual eleição indireta na Assembleia Legislativa, com renúncia da governadora e do vice, o seu nome é o Plano A?
Sim, é o Plano A. Mas sabemos que nenhum grupo político tem maioria na Assembleia. Portanto, será necessário ampliar o arco de alianças. Dentro dessa construção, pode surgir outro nome que represente melhor a composição necessária para garantir governabilidade. O fundamental é assegurar que o projeto político tenha condições de conduzir o Estado com responsabilidade pelos próximos meses, caso esse cenário se confirme.
O prefeito Allyson Bezerra, em vídeo, acusou o Governo do RN de abandonar Mossoró. Como o senhor recebe essa crítica?
O prefeito de Mossoró parece não conhecer a palavra honestidade. Além de estar com problemas com a Polícia Federal, parece que o prefeito também é desonesto com as palavras. Ele disse que o Governo do Estado abandonou Mossoró, e eu vou mostrar que não. O nosso governo está em Mossoró quando investiu 200 milhões de reais para construir e colocar em pleno funcionamento o Hospital da Mulher. O Governo do Estado está em Mossoró quando ampliou de 14 para 54 leitos de UTI na rede pública. O Governo do Estado está em Mossoró quando investiu 6 milhões de reais para reformar escolas do município, e poderia estar mais na Educação se o senhor, prefeito, tivesse cedido o terreno para a construção do IERN que o governo teve que adquirir e agora está construindo. O Governo do Estado está em Mossoró quando reduziu em 63% os homicídios no município de 2019 para 2025.
É esse legado que o senhor se refere ao governo e que vai defender na campanha eleitoral?
Vamos defender o legado do governo do professora Fátima. Isso é trabalho, é honestidade, é vida real, não é Tik Tok. O Governo do Estado está em Mossoró quando investiu 90 milhões de reais, por meio da Caern, na adutora Apodi-Mossoró, que já está em fase de teste levando água para a população da cidade. O governo investiu em Mossoró quando recuperou todas as rodovias que ligam Mossoró às cidades vizinhas. O Governo do Estado está em Mossoró, prefeito, e você sabe disso, quando a governadora Fátima foi ao Governo Federal para trazer a tão sonhada duplicação da BR-304. O nosso governo está em Mossoró cuidado da vida das pessoas, sem desespero de querer aparecer, sem Ministério Público e Polícia Federal na cola. E assim continuaremos com muito trabalho, responsabilidade e, sobretudo, honestidade.
César Santos jornal de fato