Jornais e sites de circulação nacional apontam prefeito em esquema de cobrança de propina em contratos da saúde de Mossoró
A Operação Mederi, deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira (27), ultrapassou rapidamente as fronteiras do Rio Grande do Norte e ganhou ampla repercussão nacional, colocando o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), no centro de um dos mais graves escândalos recentes envolvendo desvios na área da Saúde pública. A repercussão ganhou destaque nacional, pelos milhões envolvidos nos contratos em questão.
O Estadão foi um dos veículos que deram maior destaque ao caso, publicando manchetes duras e detalhadas. Em uma delas, o jornal crava: “A matemática do prefeito de Mossoró: ‘ele comeu 60, 15% de Allyson’, diz empresário sobre propina”.
Em outra reportagem, o jornal ampliou o alcance da operação. “Três prefeitos e 15 servidores no Rio Grande do Norte são alvos da PF por rombo de R$ 13 mi na Saúde”.
O veículo destacou que a Polícia Federal posiciona Allyson Bezerra no topo do esquema, com referências nominais e indiretas ao recebimento de propina em escutas ambientais.
A CNN Brasil não apenas noticiou a operação como trouxe um desdobramento com perfil político do prefeito: “Quem é Allyson Bezerra, prefeito de Mossoró que foi alvo de operação da PF”.
A emissora ressaltou que Allyson tem 33 anos, é natural de Mossoró e se tornou o prefeito mais jovem da história da cidade, destacando que a investigação atinge uma liderança em ascensão no cenário político potiguar e nacional. Além disso, traz a trajetória do prefeito até se tornar deputado estadual.
A CartaCapital tratou o caso como um escândalo institucional, com a manchete: “PF deflagra operação contra suspeitas de desvios na saúde no Rio Grande do Norte”.
Já o ICL Notícias foi mais direto ao associar o nome do prefeito e o partido ao esquema: “Prefeito de Mossoró (RN), do União Brasil, é alvo de operação da PF contra desvios na saúde”.
Os veículos destacaram o impacto da investigação sobre a gestão municipal e a gravidade das denúncias envolvendo contratos de medicamentos.
O caso também foi destaque em portais de grande alcance como InfoMoney, G1 Nacional, Metrópoles, Terra, Brasil 247, Revista Oeste e BandNews, evidenciando que o escândalo atravessa diferentes linhas editoriais e espectros políticos.
O Jornal Nacional, da TV Globo, levou a operação ao horário nobre, reforçando o caráter nacional da investigação e o volume de recursos públicos sob suspeita.
UOL destaca impacto eleitoral no RN
O UOL deu um enquadramento político-eleitoral ao episódio, apontando Allyson como figura estratégica no tabuleiro estadual: “Alvo da PF, prefeito de Mossoró é principal ameaça ao governo do PT no RN”.
A abordagem ressalta que a operação não tem apenas repercussão criminal e administrativa, mas também potencial para redesenhar o cenário político do Rio Grande do Norte, especialmente em meio às disputas entre grupos ligados ao União Brasil e ao PT.
A ampla cobertura nacional reforça a dimensão do caso que, como já detalhado, envolve contratos de R$ 6,39 milhões apenas em Mossoró, uma empresa com crescimento explosivo em ano eleitoral e escutas que descrevem com precisão a divisão de propinas.
Como já revelado em reportagens anteriores, a investigação aponta fraudes em licitações, pagamento de propinas e desvio de recursos públicos em contratos milionários para fornecimento de medicamentos. Diálogos interceptados pela PF indicam que Allyson teria recebido percentuais fixos sobre contratos, descritos por empresários como parte da chamada “matemática de Mossoró”.