Foi em Caraúbas, município de 20 mil habitantes, na região do Médio Oeste potiguar, que Juninho Alves construiu uma carreira vitoriosa na política. Foi vereador, presidente da Câmara Municipal e prefeito por dois mandatos, o último encerrado em 31 de dezembro de 2024.
Agora, ele se prepara para um salto maior: chegar à Câmara dos Deputados, em Brasília. Um projeto ousado, mas dentro da realidade.
“Fui convidado pelo senador Rogério Marinho, aceitei o desafio entendendo que a nossa região precisa de um representante legítimo em Brasília”, afirma Juninho durante o “Cafezinho com César Santos” na manhã desta sexta-feira, 28, na sede do Jornal de Fato em Mossoró.
O projeto eleitoral de Juninho Alves não é uma aventura. Pelo contrário. Existe uma lacuna a ser preenchida a partir de Mossoró, que não tem um deputado federal desde 2022, após 70 anos representada em Brasília. “Vamos preencher essa lacuna, vamos representar Mossoró e todos os municípios da região Oeste”, diz.
Confira a entrevista:
O senhor construiu carreira política em Caraúbas, onde foi vereador, presidente da Câmara Municipal e prefeito eleito e reeleito. Seu irmão, Eugênio Alves, também foi prefeito e o seu sobrinho Givago Barreto é o atual prefeito. É essa base política que sustenta o projeto à Câmara dos Deputados em 2026?
Temos uma atuação política vitoriosa em nossa cidade Caraúbas, mas a nossa pré-candidatura a deputado federal nasceu a partir do convite feito pelo senador Rogério Marinho, que é o presidente do nosso partido, o PL, no Rio Grande do Norte. Ele entende que a gente pode ser importante dentro de um projeto maior para a nossa região. A gente também entende assim, a partir da observação que a nossa região está sem representantes na Câmara dos Deputados. Essa é uma lacuna que precisa ser preenchida por um legítimo representante da região Oeste, por isso, aceitamos o convite e estamos colocando o nosso nome à disposição da nossa região e de todo o Rio Grande do Norte.
Onde o senhor entende que o seu projeto político-eleitoral ganha respaldo?
Caraúbas é a nossa base política. Fui presidente da Câmara Municipal, prefeito por dois mandatos, o meu irmão Eugênio também foi presidente da Câmara e prefeito e o nosso sobrinho é o atual prefeito. Temos uma base consolidada com importância em toda a região Oeste. Por isso, a gente afirma que a nossa pré-candidatura tem uma abrangência e importância do tamanho da nossa região, formada por mais de 60 municípios, que hoje sentem a falta de um representante na Câmara Federal. Veja que Mossoró, uma cidade de quase 300 mil habitantes, não tem um deputado federal. Não podemos permitir que continue assim. Então, existe um espaço que nós pretendemos ocupar e esperamos que o povo oestano entenda que esse projeto político é importante para a toda a região. Mas também é importante ressaltar que estamos percorrendo todo o Rio Grande do Norte, apresentando o nosso nome como nova alternativa à Câmara dos Deputados e, graças a Deus, a receptividade tem sido favorável.
Como o senhor tem se apresentado ao Estado, em regiões distantes do Oeste, para fazer as pessoas acreditarem no seu projeto político?
Estou entrando nessa luta, começando a caminhada à Câmara Federal a partir de Caraúbas, que é o ponto inicial. Estamos percorrendo todo o estado, apresentando a nossa história de vida, a nossa atuação política, e temos sido muito bem recebidos. A gente conta como eu recebi a cidade de Caraúbas na minha primeira gestão de prefeito e mostra como Caraúbas está hoje. Mudamos a história de nossa cidade, melhoramos a vida das pessoas e esse exemplo queremos levar para Brasília. Quero ser representante da nossa região, quero ajudar a todos os municípios com a nossa atuação, e sabemos fazer isso porque fui vereador, fui prefeito, e sei o quanto é importante ter representantes na Câmara dos Deputados para ajudar as gestões municipais.
Mossoró deixou de ter um deputado federal depois de 70 anos. Por consequência, a região Oeste também sofreu esse impacto, tendo em vista que Mossoró é a cidade polo. Essa lacuna, de certa forma, serviu de incentivo à sua pré-candidatura a deputado federal?
Vejo a importância de colocar o nosso nome para representante da região Oeste em Brasília. Mossoró, por 70 anos, teve representante na Câmara. Agora não tem mais, e isso é um impacto muito forte na vida das pessoas que moram nos municípios de nossa região. Por isso, vamos trabalhar para ser o deputado federal de Mossoró, para ser o deputado federal da região Oeste. Aqui nós tínhamos o mandato do deputado Beto Rosado, que não conseguiu se reeleger em 2022. Ele foi muito atuante, ajudou bastante Caraúbas e os municípios da região, e conseguiu muitos recursos federais para Mossoró, embora isso tenha sido pouco divulgado. Temos que reconhecer que a cidade perdeu muito com a saída de Beto Rosado. Mas a gente tem como suprir essa lacuna. Chegando a Brasília, a gente consegue abrir as portas para ajudar Mossoró e todos os outros municípios.
O senhor, então, está propondo ser o deputado federal de Mossoró?
Sim. Vou ser o deputado de Mossoró, mas também de Caraúbas e de todos os municípios da região Oeste e do estado.
Dentro do seu partido, o PL, qual é a estimativa para a disputa à Câmara dos Deputados?
O PL vai ter a nominata completa à Câmara, com nove nomes. O nosso objetivo é eleger o maior número possível de deputados. Hoje, numa avaliação simples, posso dizer que a gente tem chance de eleger dois ou três deputados federais. Essa é uma projeção pé no chão, dentro da realidade. Agora, a nossa nominata pode ficar mais forte, caso Nina Souza (esposa do prefeito Paulinho Freire, de Natal) venha para o PL. Hoje ela está filiada ao Progressistas, mas existe essa possibilidade de mudar de partido.
Eleger três deputados federais, diante de outras nominatas fortes, não é uma expectativa fora da realidade?
A nossa nominata será competitiva. Hoje o PL tem dois deputados federais, que são o General Girão e o Sargento Gonçalves, e vai filiar a deputada federal Carla Dickson (atualmente no PP). Eles foram muito bem votados em 2022. O partido tem o Coronel Brilhante, que já foi candidato em 2022, tem Pedro de Assú, tem Daniel Marinho que foi prefeito em Nísia Floresta, além de Ludimilla Oliveira (ex-reitora da Ufersa), com atuação em Mossoró e região. Então, são nomes fortes que certamente nos ajudará a eleger uma boa bancada.
A possibilidade de a primeira-dama de Natal, Nina Souza, filiar-se ao PL não enfrenta resistência de pré-candidatos à Câmara, já que ela seria a prioridade da nominata?
Não há nenhuma resistência. A gente entende que ela vindo vai ajudar o nosso partido eleger um bom número de deputados. Ela será uma candidata com potencial de 100 mil votos pra frente e isso ajudará muito a nossa nominata. O que posso dizer é que as conversas existem e que se Nina fizer opção pelo PL, será bem recebida.
A atuação política como vereador e prefeito vai fortalecer quais pautas para um eventual mandato de deputado federal?
Em Caraúbas, como vereador e prefeito, nós fizemos muito por todas as áreas. Agora, a gente vê com prioridade a saúde pública. Essa é uma área que a classe política, os gestores públicos, devem olhar com prioridade. Vejo hoje o senador Styvenson Valentim trabalhando muito pela saúde. As emendas parlamentares de seu mandato estão ajudando a construir hospitais e outras unidades de saúde. Quero fazer isso se eu chegar à Câmara dos Deputados. A saúde é uma de nossas prioridades. Fui prefeito e sei o quanto os gestores municipais lutam por mais recursos para cuidar da saúde das pessoas. A educação é outra área que tem o nosso olhar especial. Precisamos investir mais em educação. Vejo com tristeza os baixos índices do Ideb do Rio Grande do Norte, por isso, entendo que é preciso priorizar essa área para possibilitar ensino de qualidade em nosso estado.
A luta municipalista está sempre na pauta de prefeitos e ex-prefeitos quando colocam seus nomes à Câmara dos Deputados. No entanto, a pauta dos gestores municipais segue em plano menor em Brasília. O senhor, se eleito deputado federal, como vai se inserir na luta dos prefeitos e prefeitas?
Essa é uma bandeira que a gente defende desde sempre. Fui prefeito por oito anos, sei o quanto os gestores municipais precisam de apoio em Brasília para realizar ações nos municípios. São os prefeitos e prefeitas que mais sofrem, porque estão mais próximos das pessoas, porque conhecem os problemas do dia a dia. O nosso mandato, caso a gente considera chegar a Brasília, representará os gestores municipais, defenderá pautas dos gestores municipais, porque conhecemos de perto a realidade nos municípios, principalmente aqueles de pequeno porte que dependem dos repasses federais.
O projeto do PL é eleger o senador Rogério Marinho governador do Rio Grande do Norte, mas há quem duvide que ele dispute as eleições do próximo ano. Dentro do partido, há dúvidas sobre a pré-candidatura de Rogério?
Rogério Marinho é o nosso candidato a governador, nós não temos nenhuma dúvida disso, inclusive, todas as vezes que converso com o senador, ele confirma que disputará o cargo de governador do Rio Grande do Norte. De forma que, na minha opinião, o cenário da sucessão estadual está bem claro com Rogério Marinho, Cadu Xavier (PT) representando o atual governo e o prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (União Brasil). No caso de Rogério, é importante pontuar que ele tem um grupo formado, um grupo forte, que conta com o senador Styvenson, o prefeito de Natal Paulinho Freire, o ex-prefeito Álvaro Dias, tem Babá que é o presidente da Femurn, tem os deputados federais, entre outros nomes. É um grupo muito forte.
A chapa desse grupo caminha para ser Rogério Marinho a governador, Styvenson e Álvaro Dias para o senado?
São três nomes fortes, mas existem outros nomes para o Senado como Babá e o Coronel Hélio, por exemplo. O importante é que esse grupo vai disputar com uma chapa forte para vencer as eleições.
O ex-presidente Jair Bolsonaro está preso, inelegível e fora do processo eleitoral de 2026. Essa nova realidade pode afetar o projeto eleitoral do PL e de Rogério Marinho no Rio Grande do Norte?
Acho que não. É claro que Jair Bolsonaro é o grande líder da oposição ao governo Lula, o grande líder da direita, e a sua força política será representada nos estados na disputa presidencial. Tarcísio de Freitas (governador de São Paulo) é um grande nome para disputar a eleição presidencial. O projeto do PL no Rio Grande do Norte vai continuar forte sob a liderança de Rogério, mesmo não contando com a presença do ex-presidente Bolsonaro.