
Por Marcos Santos / Jornal de Fato
O ano de 2025 está terminando sem que o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, cumpra mais uma de suas promessas públicas relacionadas ao Estádio Leonardo Nogueira, símbolo do futebol mossoroense e que hoje, infelizmente, transformou-se em retrato do abandono.
Em abril deste ano, Allyson utilizou veículos de comunicação alinhados ao Palácio da Resistência para anunciar, com entusiasmo, a construção de um novo estádio. Em entrevistas, garantiu que as obras começariam ainda em 2025.
“Não vamos falar do Nogueirão para o próximo ano, não, falar para este ano, meu compromisso é este ano a gente começar a obra”, afirmou em entrevista à rádio 95 FM.
Na Difusora, detalhou o projeto de uma arena multiuso para cerca de 15 mil pessoas, com estrutura moderna, pré-moldada e de rápida execução.
“Isso dá condição de a gente entregar o estádio com brevidade para que os clubes possam usufruir”, prometeu.
Passados mais seis meses desde os novos anúncios, não há obra, não há canteiro, não há cronograma público. Há apenas silêncio administrativo e mais uma promessa arquivada.
Na prática, a gestão tentou viabilizar o projeto por meio de dois editais de Parceria Público-Privada (PPP). Ambos fracassaram. Nenhuma empresa apresentou proposta e os certames foram declarados desertos. Entre os fatores que podem ter afastado investidores está a ação judicial movida pela Liga Desportiva Mossoroense (LDM), que pede o controle do estádio de volta, criando insegurança jurídica sobre o equipamento.
O fato concreto é que, desde que foi municipalizado, em março de 2021, o Nogueirão não recebeu qualquer notícia positiva. Ao contrário: a situação se deteriorou de forma acelerada. O estádio está fechado desde fevereiro de 2024 e carrega duas interdições. A primeira, determinada pela Justiça, ocorreu porque a Prefeitura descumpriu um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que exigia obras básicas de acessibilidade. O acordo previa execução em 2022 e 2023, mas foi ignorado pela gestão.
A segunda interdição veio após o desabamento da marquise do estádio, depois de uma forte chuva. Longe de ser um evento isolado, o episódio escancarou o resultado de anos sem manutenção preventiva e sem qualquer política séria de conservação do patrimônio público.
Desde a municipalização, Allyson Bezerra acumula vídeos, discursos e promessas não cumpridas. No ato da transferência do estádio para o Município, garantiu sua funcionalidade. Hoje, o local está em completo abandono. Prometeu reforma após um torcedor ter a perna presa em um buraco que se abriu em plena arquibancada durante jogo do Potiguar pela Série D. Prometeu “resolver” a situação em diversas outras ocasiões. Nada saiu do papel.
O desgaste foi tamanho que o prefeito passou a ser chamado de “prefeito coveiro” do futebol mossoroense, rótulo estampado em protestos das torcidas ao longo da temporada. Um apelido duro, mas que reflete a percepção de quem acompanha a sequência de promessas frustradas.
Os prejuízos vão muito além do simbolismo. Os clubes da cidade sofrem perdas financeiras diretas, obrigados a mandar seus jogos em outras cidades, arcando com aluguel de estádios, custos logísticos e queda brusca de arrecadação. O afastamento do torcedor encarece o acesso ao futebol e esvazia o sentimento de pertencimento.
O impacto também atinge o comércio formal e informal que girava em torno dos dias de jogo. Ambulantes, bares, transporte alternativo e pequenos negócios sentem no caixa o silêncio imposto pelas arquibancadas vazias.
Enquanto isso, o Nogueirão segue fechado, deteriorando-se, e o discurso oficial segue desconectado da realidade. Em Mossoró, o estádio não precisa de novas entrevistas nem de fotos/maquetes virtuais. Precisa de ação, responsabilidade e respeito à cidade.

