O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-RN), por meio do Instituto Senai de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER), e a empresa Dois A Engenharia e Tecnologia lançaram, na sexta-feira, 28, o edital para investimentos de pesquisa na primeira planta-piloto de energia eólica offshore do Brasil.
A expectativa, segundo o diretor do Senai-RN e do ISI-ER, Rodrigo Mello, é reunir diferentes empresas em um arranjo cooperativo multilateral, para desenvolver soluções que respondam a questões técnicas e socioambientais sobre a atividade, ainda inédita no país.
O edital está disponível na Plataforma Inovação para a Indústria, na página https://www.portaldaindustria.com.br/canais/plataforma-inovacao-para-industria/categoria/chamada-regional-senai/. Ele está cadastrado com o título “Chamada Regional – Soluções para Estruturas Autoinstaláveis de Parques Eólicos Offshore”.
O prazo para manifestação de interesse vai até 16 de janeiro. As etapas seguintes – avaliação das informações recebidas, reuniões técnicas com as companhias pré-selecionadas, divulgação dos resultados preliminares, período para interposição de recursos e divulgação dos resultados finais – estão programadas entre 19 de janeiro e 3 de março.
Já a assinatura dos Termos de Cooperação entre as partes, a definição do plano de trabalho e o aporte por parte de cada parceiro devem ocorrer entre 4 de março e 17 de abril, com início da execução do projeto no dia 20 do mesmo mês.
Projeto
A planta-piloto foi o primeiro projeto de energia eólica offshore do Brasil a receber licença prévia do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
À época, o órgão destacou que o projeto tem como missão contribuir com o desenvolvimento científico e tecnológico nacional – e que a concessão da licença foi fruto de um extenso processo de análise conduzido por uma equipe técnica multidisciplinar, composta por especialistas com ampla experiência.
Concebido para o mar de Areia Branca, município do Rio Grande do Norte a 330 km da capital, Natal, o projeto prevê o desenvolvimento, a nacionalização e a validação de tecnologias e soluções de construção e logística para a instalação de turbinas eólicas offshore (no mar), adaptadas às condições da Margem Equatorial brasileira.
Aproximadamente R$ 42 milhões em investimentos estão previstos na primeira etapa, que engloba projetos de engenharia e análises de condições de produção, com compartilhamento de riscos financeiros, tecnológicos e de conhecimento entre as empresas participantes.
“Este é um projeto de Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação (PD&I) que enxergamos como um marco para o nascimento da indústria de energia eólica offshore no Brasil e com a perspectiva de trazer muito mais do que respostas técnicas. O que nós buscamos com o que estamos propondo é o desenvolvimento de uma cadeia nacional de fornecedores, o desenvolvimento de conteúdo nacional, a otimização da infraestrutura que existe, derivada da cadeia do onshore, e, certamente, apresentar respostas com cunho técnico e científico sobre questões ambientais e de como as pessoas poderão tirar o melhor proveito social e econômico dessa nova cadeia que vai se instalar no país”, disse Mello.
O projeto, acrescentou ele, deve ser desenvolvido ao longo de três anos. “E, certamente, ao final desse processo, teremos, de forma madura, respostas em todos os níveis envolvidos para a sociedade da região que está no entorno e de todo o Brasil, buscando fortalecer a matriz energética do país, que tem características extremamente limpas, renováveis e muito competitivas, além da geração de novas oportunidades através da ciência e da tecnologia”, frisou ainda.
O lançamento do edital, na avaliação do executivo, “é um divisor de águas para que o país dê início a processos pragmáticos para a criação dessa nova atividade industrial”.
Texto: Renata Moura/Fiern