Por Jairton Medeiros
Ao deixar a Prefeitura de Mossoró para disputar o Governo do Rio Grande do Norte, o prefeito licenciado Allyson Bezerra entrega a administração municipal com indicadores fiscais que prometem alimentar o debate político durante a campanha eleitoral.
Dados dos relatórios fiscais enviados pela Prefeitura ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN) mostram que o município encerrou o primeiro quadrimestre de 2026 com uma Dívida Consolidada Líquida de R$ 693.205.172,53 e quase R$ 9 milhões em despesas liquidadas sem pagamento.
Os números ganham relevância por retratarem justamente o cenário fiscal deixado pela gestão que pretende utilizar a experiência administrativa em Mossoró como principal credencial para governar o Estado.
A evolução da dívida pública é um dos indicadores que mais chamam atenção nos relatórios fiscais. Ao final de 2020, último exercício antes da posse de Allyson Bezerra, a Dívida Consolidada Líquida de Mossoró era de R$ 233.266.818,17.
Dois anos depois, ao final de 2022, o passivo havia avançado para R$ 314.003.834,12. Em 2023 ocorreu o maior salto da série recente. A dívida consolidada alcançou R$ 580.716.711,07, registrando um crescimento expressivo em relação ao ano anterior.
No encerramento de 2024 houve uma redução para R$ 509.275.986,68. No entanto, a queda não se sustentou. Ao final de 2025, a dívida voltou a crescer e atingiu R$ 588.638.132,76.
Já no primeiro quadrimestre de 2026, período que coincide com os últimos meses da gestão Allyson à frente do Executivo municipal, o passivo alcançou R$ 693.205.172,53, o maior valor registrado na série.

Comparando os números do final de 2020 com os dados de abril de 2026, a dívida pública de Mossoró aumentou R$ 459.938.354,36. Em termos percentuais, o crescimento acumulado foi de aproximadamente 197,2%.
Na prática, isso significa que o município encerra o período com uma dívida quase três vezes maior do que a existente antes do início da atual gestão.
Os dados também mostram uma aceleração do endividamento nos últimos meses. Entre dezembro de 2025 e abril de 2026, a dívida aumentou R$ 104.567.039,77, crescimento de cerca de 17,8% em apenas quatro meses.
O resultado aproxima Mossoró da marca de R$ 700 milhões em obrigações de longo prazo, um patamar inédito para as finanças municipais.
Outro ponto que chama atenção nos relatórios fiscais é a diferença entre as despesas liquidadas e os pagamentos efetivamente realizados pela Prefeitura.
Segundo o Relatório Resumido de Execução Orçamentária (RREO) referente ao primeiro quadrimestre de 2026, a administração municipal liquidou R$ 313.585.263,52 em despesas entre janeiro e abril. No mesmo período, os pagamentos somaram R$ 304.686.398,01.
A diferença de R$ 8.898.865,51 representa despesas já reconhecidas oficialmente pela administração, mas que permaneceram sem quitação até o encerramento do quadrimestre.
Na contabilidade pública, a liquidação ocorre quando o ente público confirma que o serviço foi executado ou o produto foi entregue, transformando a obrigação em compromisso financeiro formal.
Embora situações desse tipo possam ocorrer dentro da rotina fiscal dos municípios, os números demonstram que a Prefeitura encerrou o período com milhões de reais em despesas aguardando pagamento.
Os indicadores fiscais surgem em um momento de forte projeção política do ex-prefeito, que busca transformar sua passagem pela Prefeitura de Mossoró em vitrine para a disputa pelo Governo do Estado.
Enquanto aliados destacam investimentos, obras estruturantes e modernização administrativa, os relatórios oficiais mostram que a gestão termina com uma dívida pública R$ 459,9 milhões superior à registrada ao final de 2020 e com quase R$ 9 milhões em despesas liquidadas sem pagamento apenas nos quatro primeiros meses de 2026.
Embora parte do crescimento da dívida possa estar associada a financiamentos, operações de crédito e investimentos públicos realizados ao longo dos últimos anos, os números revelam uma expansão significativa dos compromissos financeiros assumidos pelo município durante a gestão.
Com a campanha eleitoral se aproximando, os indicadores fiscais de Mossoró tendem a ocupar espaço central nas discussões sobre o legado administrativo deixado por Allyson Bezerra. Afinal, a cidade que servirá de principal vitrine para sua candidatura ao Governo do Estado encerra o ciclo administrativo com a maior dívida consolidada de sua história e milhões de reais em obrigações ainda pendentes de pagamento.