Todo político sonha ser lembrado por uma grande obra. Allyson Bezerra será. Não pela construção de uma grande ponte, mas, na minha leitura, pela destruição de algumas delas — as que o ligavam a amigos e aliados.
Kelps Lima, Carlos Eduardo, Alexandre Teixeira. Histórias diferentes, mas com um traço comum: relações abaladas, compromissos frustrados e aliados deixados pelo caminho.
Pontes levam anos para serem construídas e segundos para ruir. Na política, elas têm outro nome: confiança.
O caso de Kelps é o mais emblemático. Antes de Allyson ter peso eleitoral, Kelps já apostava nele. Veio a Escola de Jovens Líderes, o Solidariedade, a primeira candidatura, o primeiro mandato. Em outras palavras: uma longa caminhada.
E Kelps não ficou apenas no passado. Quando foi deflagrada a Operação Mederi, ele se expôs publicamente em sua defesa, chamou-o de amigo e recusou o pré-julgamento.
Agora os papéis se inverteram.
Kelps desistiu de uma candidatura cultivada havia anos, alegando quebra de compromissos políticos por parte de Robinson Faria, João Maia e Benes Leocádio. Mesmo assim, preservou Allyson e manteve apoio ao seu projeto.
E Allyson?
Silêncio.
Na minha leitura, aí mora a ingratidão. Não porque gratidão seja submissão, mas porque há momentos em que um amigo não precisa resolver o problema do outro. Precisa apenas estar ao lado.
Carlos Eduardo foi convidado para coordenar a campanha de Allyson em Natal. Logo depois, 7 vereadores aliados rejeitaram publicamente essa coordenação. Diante do constrangimento, Allyson também não se pronunciou.
Outra ponte balançou. Outro silêncio.
Depois veio Alexandre Teixeira, que relatou ter trabalhado na organização do Partido Avante e esperado diálogo com Allyson para preservar compromissos assumidos. Ao sair, resumiu que não foi possível chegar num entendimento. Fato noticiado no Blog do BG como “Puxada de Tapete”.
Os 3 episódios não são iguais. Mas, quando começam a se acumular, podem sugerir que Allyson está tão empenhado em construir o caminho para o Governo que talvez não perceba as pontes que deixa cair pelo percurso.
Pontes destruídas deixam escombros. E escombros também contam histórias.