Nove municípios do Rio Grande do Norte podem receber forças federais durante as eleições de 2026. O TRE-RN aprovou por unanimidade, nesta terça-feira (8), o envio do pedido ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que ainda terá de decidir se autoriza o reforço.

A lista reúne Serra Negra do Norte, Jardim de Piranhas, Alexandria, João Dias, Tibau, Boa Saúde, Sítio Novo, Serra Caiada e Ipanguaçu.
Não significa, portanto, que tropas já estejam a caminho dessas cidades. O TRE-RN fez a solicitação; a palavra final será do TSE.
Nem todas as cidades que pediram reforço entraram na lista
A seleção levou em conta consultas aos juízes eleitorais e informações dos setores de inteligência da Justiça Eleitoral e da Polícia Militar.
Segundo a presidente do TRE-RN, desembargadora Martha Danyelle Santana Costa Barbosa, nem todos os municípios que solicitaram reforço foram incluídos. A Corte considerou os locais onde identificou necessidade concreta de ampliar a segurança durante a votação.
Se aprovado, o efetivo federal atuará em apoio às forças estaduais. A missão é evitar intimidações e conflitos e garantir segurança para eleitores, mesários e servidores da Justiça Eleitoral.
Durante a análise do pedido, o desembargador João Rebouças lembrou sua experiência como juiz eleitoral no interior e defendeu o efeito preventivo da presença das tropas.
João Dias carrega histórico recente de violência política
Entre os nove municípios, João Dias chama atenção pelo que aconteceu justamente no período eleitoral de 2024.
Em 27 de agosto daquele ano, o então prefeito e candidato à reeleição Marcelo Oliveira (União Brasil) foi assassinado a tiros ao lado do pai, Sandi Alves de Oliveira. O crime ocorreu a menos de seis semanas da eleição. Marcelo já havia sobrevivido a uma tentativa de homicídio em 2022.
Mesmo após o assassinato, a eleição municipal foi mantida. João Dias recebeu forças federais naquele pleito, após autorização do TSE, e a viúva de Marcelo, conhecida como Fatinha de Marcelo, acabou eleita prefeita.
As investigações da Polícia Civil apontaram o assassinato como parte de uma disputa entre grupos familiares e políticos pelo controle do município. O Ministério Público denunciou suspeitos de participação no planejamento e na execução do crime.
Para as outras oito cidades incluídas no pedido de 2026, o TRE-RN não detalhou publicamente durante a sessão quais episódios específicos justificaram a solicitação. A Corte informou que cada caso foi avaliado individualmente a partir dos relatos dos juízes eleitorais e das informações de inteligência.