Allyson conseguiu decisão favorável e o juiz relator Daniel Cabral Mariz, do Tribunal Regional Eleitoral, mandou retirar do ar pesquisa que perguntava ao eleitor sobre operação que investiga o ex-prefeito de Mossoró por desvio de recursos da saúde
Da Redação do Jornal de Fato
Ao acionar a Justiça Eleitoral para tirar do ar uma pesquisa de intenção de votos, que aborda o entrevistado sobre o nível de conhecimento da Operação Mederi, o ex-prefeito de Mossoró e pré-candidato a governador Allyson Bezerra (União Brasil) devolveu a operação da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU), que estava sumida, à pauta do dia.
Allyson conseguiu decisão favorável e o juiz relator Daniel Cabral Mariz Maia, do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RN), concedeu liminar e mandou retirar do ar o levantamento realizado pelo Instituto Media. Na pesquisa, o entrevistado é instado para responder se sabe de existência da operação da Polícia Federal que alcançou Allyson Bezerra.
Na decisão, o juiz Daniel Cabral diz que esse recorte da pesquisa pode ter “induzido respostas negativas”, ter “comprometido a neutralidade da pesquisa” e “influenciado a percepção dos eleitores”. O magistrado também considerou que o caso pode configurar propaganda eleitoral negativa antecipada, o que é proibido antes do período oficial de campanha.
O Instituto Medial acatou a decisão da Justiça, mas, em nota, afirmou que seguiu as regras da legislação eleitoral e que as perguntas abordaram temas de conhecimento público. Também negou qualquer intenção de prejudicar o pré-candidato.
A decisão favorável, no entanto, não afasta a repercussão negativa da Operação Mederi. Pelo contrário. Allyson Bezerra voltou a enfrentar o noticiário em torno da ação da Polícia Federal, que investiga um sistema de desvio de recursos da saúde pública de Mossoró, por meio de contratos fraudulentos e de não entrega de medicamentos pagos pela Prefeitura.
A Polícia Federal, conforme a decisão judicial que autorizou a Operação Mederi, coloca Allyson Bezerra no “topo” do esquema criminoso, assim como o seu sucessor, atual prefeito Marcos Bezerra (Republicanos). As residências de Allyson e Marcos foram alvos de busca e apreensão, cumpridas durante a operação no dia 27 de janeiro deste ano.
Após os policiais federais saírem de sua residência, no condomínio de alto padrão Ninho, zona leste de Mossoró, Allyson Bezerra gravou vídeo afirmando que não era alvo da operação e que estava apenas colaborando. Minutos depois, ficou esclarecido, pela Polícia Federal, que ele é um dos investigados, assim como o então vice-prefeito e hoje prefeito Marcos Bezerra, além de auxiliares da pasta da saúde.
Na residência de Allyson Bezerra a Polícia Federal levou celulares, computador, HDs e uma mochila com materiais que estão sendo periciados.
Reação
Dez dias após a Operação Mederi, Allyson Bezerra realizou evento em hotel de Natal para lançar a sua pré-candidatura a governador, com apoio da federação União Progressista e dos partidos MDB, PSD e Solidariedade. Mais recentemente, o Republicanos ingressou no projeto eleitoral, passando a ser presidido no estado pelo prefeito Marcos Bezerra.

Operação descortinou esquema de desvio de dinheiro da saúde
A Operação Mederi foi autorizada pelo juiz federal Rogério Fialho, do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5), com sede em Recife (PE). Na decisão, o magistrado cita que foi formada uma estrutura criminosa para desviar recursos da saúde pública de Mossoró e de outros cinco municípios da região Oeste.
O esquema usou as empresas DisMed Distribuidora de Medicamentos e a Drogaria Mais Saúde. Os sócios das Dismed, Oseas Monthalggan Fernandes da Costa e Moab Soares, aparecem em vários áudios interceptados pela Polícia Federal detalhando sobre o esquema de desvio dos recursos da saúde, pagamento de propina e caixa de campanha eleitoral.
Em um dos áudios, os sócios citam que o então prefeito Allyson Bezerra era beneficiando com 15% de propina, enquanto outra pessoa identificada como “Fátima” receberia 10%. Outro áudio cita Marcos Bezerra, que era vice-prefeito na época, como outro beneficiado pelo esquema. Na primeira gestão de Allyson, Marcos Bezerra trabalhou dentro da Secretaria Municipal de Saúde.
A operação da polícia federal alcançou auxiliares da gestão municipal, como a secretária de Saúde, Morgana Dantas, o ex-secretário de Saúde, Almir Mariano, além de servidores comissionados da pasta da saúde. Na casa de Almir Mariano, a Polícia Federal apreendeu dinheiro em espécie e carros.
Sete investigados estão sendo monitorados por tornozeleiras eletrônicas. As investigações estão avançando.