Governadora Fátima Bezerra acompanha chegada das águas do São Francisco pelo Ramal do Apodi; momento simboliza o início de uma nova etapa para milhares de famílias do Alto Oeste potiguar.
A água finalmente chegou. Depois de atravessar estados, vencer quilômetros de canais, aquedutos e túneis e superar décadas de promessas, o Rio Grande do Norte recebeu as águas da transposição do Rio São Francisco.
O momento, acompanhado nesta sexta-feira (3) pela governadora Fátima Bezerra, marca um dos capítulos mais simbólicos da história da segurança hídrica do estado: pela primeira vez, as águas do Velho Chico cruzam o Ramal do Apodi em território potiguar, aproximando uma antiga promessa da realidade de milhares de famílias que cresceram convivendo com a seca.

A chegada da água ocorre em concomitância com a inauguração do Túnel Major Sales pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, estrutura considerada estratégica para a integração entre a Paraíba e o Rio Grande do Norte. Agora, o que antes era concreto e engenharia ganha movimento: a água começa a percorrer o caminho que, quando todas as etapas forem concluídas, beneficiará cerca de 750 mil pessoas em 54 municípios do Rio Grande do Norte, da Paraíba e do Ceará. Em meio ao calor do sertão, o momento foi acompanhado ao som da sanfona por moradores que transformaram a chegada da água em celebração.

Muitos carregam na memória as longas estiagens, os açudes secos, a dependência dos carros-pipa e a expectativa que atravessou gerações. A cena da água correndo pelo canal representa, para essas famílias, mais do que uma obra pública: representa a possibilidade de produzir, permanecer no campo e enfrentar os períodos de seca com mais segurança.Ao acompanhar a chegada das águas ao Rio Grande do Norte, a governadora Fátima Bezerra afirmou que o momento representa mais do que uma conquista de infraestrutura: trata-se de uma reparação histórica para o povo do semiárido.“Isso aqui representa desenvolvimento para o nosso povo. Mas eu enfatizaria que é, sobretudo, uma reparação do ponto de vista histórico, pelo que significa o projeto da transposição das águas do São Francisco para o semiárido nordestino. Esse momento deixa para trás um passado de escassez, da seca braba, e traz agora para o sertão esperança e dignidade. Dignidade porque a água é vida. É água para beber e para promover o desenvolvimento.”Em tom emocionado, a governadora relacionou a chegada da água à própria trajetória de quem viveu os efeitos da seca.“Para uma geração de nordestinos como eu, que conheceu a seca de perto, ver hoje as águas do São Francisco adentrando o nosso estado é uma felicidade imensa. Renova a nossa esperança de seguir construindo um Rio Grande do Norte e um Nordeste cada vez mais fortes, sustentáveis, inclusivos, prósperos e justos.”Embora o sistema ainda tenha etapas a serem concluídas até entrar plenamente em operação, especialistas consideram que este é um dos momentos mais importantes de toda a implantação do Ramal do Apodi: é quando uma infraestrutura construída ao longo de anos deixa de ser apenas obra e passa a cumprir sua função.A expectativa é que a integração das águas fortaleça o abastecimento humano, amplie a segurança hídrica dos municípios, reduza a vulnerabilidade às secas prolongadas e abra novas perspectivas para a agricultura familiar e para o desenvolvimento econômico da região.
