Edilson Damasceno / Jornal de Fato

O silêncio como tática pode ser uma alternativa perigosa para quem tem muito a dizer. Ainda mais para quem se coloca como vitrine e quer representar um Estado. Os reflexos da Operação Mederi, iniciada em 27 de janeiro deste ano e que resultou em investigação de suposto esquema de corrupção na administração de Allyson Bezerra (União Brasil), bem como a ausência de desconstrução do que vem sendo dito dizem muito mais sobre as próximas gestões do que a que findou em março último.
Ontem a reportagem tentou, mais uma vez, ouvir a versão de Allyson Bezerra sobre o que está posto no processo que tramita no Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5) sob o número 0006371-27.2025.4.05.0000. Primeiramente, falou-se com o profissional que assumiu a coordenação de imprensa e de marketing da pré-campanha do ex-prefeito de Mossoró ao Governo do Estado, Hélito Honorato. Ele, por sua vez, indicou o jornalista Vonúvio Praxedes como responsável para atender a demanda.
Após o contato estabelecido, a reportagem solicitou a posição do ex-prefeito ou da assessoria jurídica dele sobre o que vem sendo divulgado pelo jornalista Dinarte Assunção, no Blog do Dina, e repercutido por órgãos de comunicação de todo o Rio Grande do Norte. Inicialmente, houve abertura para que o trabalho da imprensa pudesse fluir, mas foi apresentado, posteriormente, a necessidade de que algum fato novo pudesse ser levado ao jurídico de Allyson Bezerra.
O assessor do ex-prefeito informou que uma nota de esclarecimento havia sido divulgada em janeiro. Mas algo que, como ele mesmo teria cobrado da reportagem, não seria novidade. Na nota, Allyson ainda fala como prefeito. E agora já não pode mais ter essa adjetivação. A nota enviada alude à criação do decreto 6.994/2023, que passa para a Controladoria Geral do Município a responsabilidade de fiscalização e acompanhamento do Sistema Nacional da Gestão da Assistência Farmacêutica, ao qual a Prefeitura de Mossoró havia aderido.
Com essa nota, o então prefeito deixou claro que não estava ciente de um suposto esquema de corrupção que teria se instalado na Prefeitura de Mossoró. Em outras palavras, fez uso de um adágio popular e que direciona à tese que se apresenta: “casa de ferreiro, espeto de pau”. Nada sabia, nada viu e nada tinha a esclarecer.
Apesar de ter ciência dos fatos e de supostamente acompanhar o que se publica sobre o ex-prefeito, a assessoria insistiu em ter algo novo para instigar o jurídico de Allyson Bezerra a apresentar alguma resposta à sociedade que ele quer representar, caso seja eleito governador do Rio Grande do Norte.
Mesmo sabendo que os advogados do ex-prefeito acompanham o que vem sendo publicado na imprensa e ou ter acesso ao processo que tramita no Tribunal Regional Federal da 5ª Região, foram enviados à assessoria trechos de diálogos, captados pela Polícia Federal, dos sócios da empresa DisMed Distribuidora de Medicamentos, que afirmam que Mossoró seria o pulmão da rede de corrupção que se espalhou por cerca de 22 cidades potiguares. Os sócios deixam claro que sem Mossoró na jogada o lucro exorbitante não seria possível.
No contato estabelecido com o jornalista Vonúvio Praxedes, a reportagem estabeleceu que o deadline, limite de tempo para o envio do que havia sido solicitado, seria até as 16h. Até o fechamento desta edição a assessoria de imprensa do ex-prefeito Allyson Bezerra não cumpriu com o que havia sido acordado, de enviar o posicionamento da assessoria jurídica dele.